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AMIZADE: LAÇOS AFETIVOS AO LONGO DE NOSSA VIDA

07/07/2017

 

 La grande différence entre l’amour et l’amitié,

c’est q’il ne peut y avoir d’amitié sans réciprocité.

 

A grande diferença entre o amor e a amizade,

É que não pode haver amizade sem reciprocidade.

 

Michel Tournier 

 

A Amizade é o relacionamento que ocorre entre as pessoas e dispensa laços sanguíneos ou qualquer outra ligação, visto que sua escolha é livre de exigências profissionais, sociais, entre outras.

 

A importância de se ter amigos, é muito discutida nos dias atuais, onde o tempo é escasso, os rompimentos constantes e existe pouca tolerância. O amigo oferece conforto nos dias difíceis e a possibilidade de compartilhar bons momento. Envolve uma troca mútua de intimidade, comunicação, se importar, se preocupar e considerar o outro, sempre reparando possíveis danos inerentes da própria ambivalência dessa relação, nos fazendo transpor todas as dificuldades, conflitos e situações inesperadas que envolve ter um amigo.

 

Contudo, fazer amigos não é uma questão fácil para muitas pessoas. É parte de um processo de amadurecimento que tem como requisito a experiência de mutualidade, uma vez que se trata do reconhecimento da alteridade. Sinal de saúde psíquica, denota a habilidade em lidar com frustações, com a afetividade e com as diferenças.

 

O amigo é paradoxalmente um outro reconhecido como diferente, mas que também é parte do meu mundo subjetivo. Remonta a uma necessidade essencial de encontro com o outro, renovada ao longo da minha existência.

 

COMO ELA OCORRE AO LONGO DA VIDA

 

Nossos laços afetivos são influenciados pelas primeiras relações que estabelecemos em nosso núcleo familiar, quando a mãe se adapta ativamente às necessidades emocionais do bebê, podendo compensar a imaturidade deste. É partir dessas experiências que o indivíduo vai desenvolver sua capacidade de estar só, fundamental para que expanda seus laços de afeto para além da vida familiar, permitindo que construa sua própria vida, à parte desse mundo. Essa separação é fundamental para que o contato com o outro, semelhante a mim, que possa vir se tornar um amigo aconteça espontaneamente.

 

As crianças desde muito pequenas já demonstram a inclinação à interação social e a importância de fazer amigos, sendo o isolamento fonte de sofrimento para muitas delas. É através das brincadeiras que estabelecerá esses primeiros vínculos fora de sua família, como afirma Winnicott que a brincadeira fornece a organização para a iniciação de relações emocionais e assim propicia o desenvolvimento de contatos sociais, associando que a capacidade de brincar e de fazer amigos ocorrem ambos no espaço potencial.

 

Já na adolescência fica muito mais claro a necessidade de se estabelecer vínculos fora do núcleo familiar. Mesmo com uma família muito adequada e com laços sadios, caso o adolescente não consiga estabelecer vínculos afetivos estreitos fora desse núcleo, também sofrerá. Muitos até fazem parte de grupos e conseguem mascarar certo isolamento, evitando algumas situações negativas do não ter amigos, contudo, relatam esse vazio e sentimento de solidão.

 

Na vida adulta muitas vezes esses laços são substituídos pela correria do dia a dia, por vinculações por conveniência como rede de contato do trabalho, pais dos amigos dos filhos, cursos e etc. Contudo, poder contar com laços saudáveis e fortes nos ajuda a enfrentar as adversidades dessa fase, trazendo algo de verdadeiro e permanente.

 

Na velhice essa rede de apoio se faz essencial para ocupar de maneira saudável o tempo livre, que agora é muito maior, e a ausência de alguns familiares, que agora estão constituindo suas próprias famílias.

 

Em suma, ter com quem compartilhar a vida, sem maiores interesses a não ser o prazer de uma boa e velha companhia, algo sincero e verdadeiro, que briga, irrita e ao mesmo tempo é prazeroso e dá saudades, em todas as fases da vida é algo maduro e ainda por cima, humano.

Sobre o autor:

Luana da Silva Oliveira - Psicóloga Clínica e Organizacional, realiza atendimento clínico com crianças, adolescentes, adultos, casais e família.