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BULLYING: O LIMITE ENTRE BRINCADEIRA E AGRESSÃO

17/09/2017

 

O QUE É BULLYING

 

Ouvimos muito falar sobre situações de bullying atualmente, seja nas escolas, universidades e ambientes de trabalho. Menos comum de serem enquadradas como bullying, existe também as situações em vizinhanças, condomínios, família e outros contextos sociais. Apesar de muito ser dito sobre, ainda ocorre confusões no conceito de bullying e má interpretações.

 

Para ser considerado bullying, a situação precisa estar caracterizada por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por uma ou mais pessoas contra uma ou mais pessoas, sejam crianças ou adultos. Uma outra característica muito importante é que a agressão sempre ocorre entre pares, sejam alunos, funcionários do mesmo nível hierárquico e etc. Nesse sentido, adultos não podem fazer bullying com crianças e vice-versa. Quando são níveis hierárquicos diferentes ou idades muito distintas, podemos considerar a situação como assédio moral ou outra que se aplique. Devemos lembrar também que existe também o cyberbullying, que se caracteriza quando as agressões e humilhações ocorrem através da internet, em redes sociais e outros meios.

 

Situação de ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato, o termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Devido a uma cultura que de alguma sempre foi conivente e tolerante com alguns tipos de ofensas e preconceitos, o que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa, além daqueles que presenciam as situações. A situação de bullying tem a ver com a empatia, tolerância e respeito com relação às diferenças, com a nação de certo e errado e o que não devemos fazer.

 

A situação de bullying em que ocorre a agressão física deixa marcas no alvo agredido e é mais difícil de ser escondido, sendo também mais impactantes para aqueles ao redor, contudo, as consequências psicológicas são tão graves para ambas as situações, por isso a atenção para situações de humilhação verbal deve ser redobrada, pois geralmente são mais toleradas.

Não podemos esquecer também o papel importante do espectador do bullying, que podem atuar passivamente, quando presenciam e tem conhecimento do que ocorre, mas não buscam ajuda e de forma ativa, quando incentivam as agressões ou compartilham virtualmente as agressões.

 

CARACTERÍSTICAS DOS AUTORES E DOS ALVOS

 

Geralmente, os autores do bullying o fazem atrás de uma certa fama e popularidade. São pessoas que não aprenderam a lidar com a raiva e que não se importam com os sentimentos dos outros, principalmente aqueles que não oferecem perigo em potencial e são considerados “mais fracos”, podendo até mesmo sentir prazer com esse tipo de situação. As ações de pessoas do sexo masculino costumam ser mais agressivas e diretas, já as mulheres ou meninas são mais discretas e usam de boatos e exclusão. Em muitos casos, os autores começas as agressões ainda em período escolar e, se não auxiliados, podem repetir essas ações na vida adulta.

 

Já a pessoa alvo de bullying costuma ter uma autoestima baixa, timidez, retraimento e por esse motivo não consegue reagir. Existem também características físicas que propiciam que o bullying ocorra, como questões étnicas e estéticas, por exemplo. A vergonha e o medo acabam impedindo que busque ajuda e isso acaba perpetuando a situação. A pessoa alvo de bullying pode sofrer agressões em mais de um local ou em etapas diferentes de sua vida se não receber a ajuda necessária. As vítimas podem chegam a aceitar as agressões, que realmente há algo de errado com eles, que são de fato “inferiores”. Já algumas pessoas reagem à situação fazendo bullying com outras pessoas ainda mais frágeis.

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AS CONSEQUÊNCIAS

 

As pessoas que são alvo de bullying, além do isolamento e retraimento, podem apresentar que no desempenho escolar ou produtividade no ambiente de trabalho. As somatizações também acabam sendo presentes nesses casos, como dores de cabeça, abdominais e mal-estares, principalmente a caminho do local onde as situações ocorrem. Em situações extremas, podem causar danos traumáticos mais graves que influenciarão em sua personalidade, podendo até mesmo chegar ao suicídio, como representado na séria da Netflix que fez muito sucesso esse ano chamada 13 Reasons Why.

 

Para os autores, além das dificuldades de relacionamento, podem ter dificuldades em lidar com normas e regras e a respeitar limites. Acabam sendo expulsos de escolas e demitidos de empregos, além de ficarem expostos a possíveis consequências legais, como processos por assédio ou agressão.

 

O QUE FAZER NESSAS SITUAÇÕES

 

A primeira intervenção deve ser sempre a prevenção. Escolas, universidades e empresas devem ter regras e políticas muito claras em relação a esse tipo de conduta, incentivando o respeito e a tolerância. Funcionários em posição de liderança e professores devem sempre ser o exemplo, por isso a seleção dessas pessoas deve levar esse tipo de conduta em consideração. O ambiente familiar também é muito importante, por isso pais e responsáveis devem estar atentos a suas atitudes.

 

Quando a situação infelizmente já está acontecendo, devemos utilizar do diálogo para resolver a situação. Os autores e espectadores ativos devem ser punidos e os espectadores passivos devem ser orientados do que fazer nessa situação. Os alvos devem se sentir apoiados e suportados pelos demais. Por isso a importância da atuação de psicólogos nas instituições, como psicólogos escolares e organizacionais, que podem apoiar nessas situações.

 

Quando identificada a necessidade, encaminhamentos para acompanhamento psicológico são muito importantes nessas situações, tanto para autores como para alvos, como também para famílias envolvidas. O psicólogo clínica atuará na complexidade e particularidade de cada caso e de cada sujeito envolvido. A singularidade de cada indivíduo deverá ser levada em considerada não atendo apenas às generalidades da situação, se desamarrando o próprio psicólogo dos preconceitos contra agressores e vítimas, podendo assim auxiliá-los para que consigam estabelecer relações saudáveis ao longo de suas vidas.

 

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Sobre o autor:

Luana da Silva Oliveira - Psicóloga Clínica e Organizacional, realiza atendimento clínico com crianças, adolescentes, adultos, casais e família.