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PROCESSO DE LUTO: TRANSFORMANDO PERDAS

02/11/2017

 

Quando pensamos em luto acabamos pensando em que alguém morreu e que o outro que vive sofre. Contudo, o luto não ocorre apenas com a perda de uma pessoa ou animal, ele ocorre também quando a pessoa perde algo de valor para ela, como uma casa, um carro, um emprego, um status social, um ideal, um relacionamento, algo de valor para a pessoa. O luto ocorre quando perdemos algo, real ou simbólico, com o qual tínhamos um elo significativo.

Durante nossa vida perdemos muitas coisas, inclusive o nosso desenvolvimento saudável depende disso, deixamos de ser criança, adolescente, adulto jovem. Elaboramos lutos pelo corpo que muda, pelos hábitos que mudam, entre outros. Portanto é um fenômeno natural, um processo que ocorre mentalmente e importante para o desenvolvimento humano.

 

O QUE OCORRE DURANTE O LUTO

O luto é um processo psíquico desencadeado por uma perda caracterizado por:

  1. Tristeza profunda;
  2. Falta de sentido e atrativos na vida;
  3. Falta de apetite;
  4. Afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada a pensamentos sobre o objeto perdido;
  5. Perda de interesse no mundo externo;
  6. Falta de energia e disposição;
  7. Incapacidade de substituição com a adoção de um novo objeto;
  8. Sentimento de vulnerabilidade e desamparo.

 

É um processo difícil, lento e penoso no qual deixamos de investir no mundo externo, retiramos nossa energia, o que chamamos de retraimento dos investimentos psíquicos, para que essa perda, que não é apenas dada no concreto, mas também dentro de nós, possa ser elaborada.

 

Cada pessoa tem o seu tempo para elaborar o luto e cada perda é diferente, podendo levar semanas, meses e em alguns casos anos. A nossa capacidade de realizar esse processo vem desde a infância, das nossas primeiras experiências de perda, que definem nossa capacidade de se adaptar às novas realidades produzidas diante das perdas. A forma como reagimos fica como uma modelo que é reativado a casa nova perda.

 

O trabalho do luto é concluído quando a realidade prevalece e o sujeito é capaz de voltar a investir no mundo externo, enfrentando a realidade como se encontra no momento atual e podendo criar novas realidades, tendo reorganizado os seus investimentos no mundo.

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PATOLOGIAZAÇÃO DO LUTO

O processo de luto envolve sofrimento, falta de produtividade e tem o seu tempo de duração, questões que na atualidade não têm muito espaço. Por mais que tenha um caráter patológico, não é uma doença. É algo necessário de ser enfrentado e quando tentamos acelerar esse processo, isso pode ser prejudicial. Precisamos ter paciência, tanto o enlutado como quem está com ele, para que o processo chegue ao fim.

 

QUANDO PROCURAR AJUDA

Em alguns casos o sujeito pode apresentar sintomas que precisam da nossa atenção durante o processo de luto:

 

  1. Tempo prolongado: alguns manuais de categorização de patologias falam em 3 anos, mas é importante pensarmos na intensidade do luto que o sujeito está vivendo e, dependendo, antes mesmo disso podemos pensar em procurar ajuda.
  2. Paralisação: quando apesar do tempo ter passado, a pessoa ainda não consegue enxergar novas perspectivas e possibilidades para sua vida.
  3. Luto sem objeto: no luto, o sujeito sabe o que perdeu. Quando a sensação de luto perdura sem sentido, sem um objeto, devemos ficar atentos.

 

PSICOTERAPIA E LUTO

Apesar de não se tratar de uma doença, distúrbio ou transtorno, a psicoterapia pode ajudar a pessoa que está passando por esse processo. O sujeito pode encontrar um lugar seguro e sem julgamentos para falar da sua dor, medos, dificuldades, entre outros, questões de difícil espaço em outros lugares.

 

A psicoterapia pode auxiliar na percepção do luto como algo natural, diminuindo o sentimento de culpa do enlutado por se encontrar nessa situação, ficando aliviado de que, se algo estiver errado, será sinalizado.

Ter um guia para caminhar nos labirintos do luto também pode auxiliar, principalmente nos casos em que as experiências de luto anteriores não foram saudáveis, deixando marcas que retornam no luto atual.

Sobre o autor:

Luana da Silva Oliveira - Psicóloga Clínica e Organizacional, realiza atendimento clínico com crianças, adolescentes, adultos, casais e família.