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O PRAZER DE COMER

30/06/2017

 

Vivemos em uma realidade onde a medida parece ter se perdido um pouco. Isso ocorre também com a comida, que deve ser medida, controlada, balanceada e avaliada por profissionais altamente qualificados. Mesmo assim, seguir a “dieta” não é fácil, mas uma obrigação. E o comer vai cada vez mais perdendo seu lugar de afetividade, prazer, laços, memórias para algo que deve se tomar muito cuidado. Dessa forma fica complicado adicionarmos tempero e sabor à vida a mesa.

 

Para algumas pessoas uma dieta se faz necessário como diabéticos, celíacos, hipertensos e etc. Contudo, para a grande maioria de nós não seria necessário. Não fosse os inúmeros transtornos alimentares como a compulsão alimentar, a bulimia, a anorexia e o medo de sair do seu peso ideal, tão presentes na atualidade, o comer seria mais leve e natural, orgânico.

 

O comer passou a ser fonte de repulsa e medo ou o tamponamento para angústias e frustrações. Com uma enorme capacidade e variedade gustativa, a compulsão alimentar pode ser entendida como um comportamento compulsivo onde se tenta achar um algo que acabe com o desprazer, mas após o prazer proporcionado pela comida a angústia apenas aumenta, com a culpa e os resultados visíveis na região da cintura.


Fonte de um dos primeiros grandes prazeres vivenciados por nós, a boca, trato digestivo e o comer estão intimamente ligados a essa experiência. O bebê é um ser ainda basicamente sensorial e o paladar é um dos sentidos de maior relevância nessa época. Na amamentação se estabelece uma relação única entre mãe e bebê que não apenas o nutre no sentido orgânico, mas também de afeto, atenção e conforto. Por isso muitas vezes o comer é ligado a um conforto psicológico e as memórias afetivas ligadas aos diversos sabores vão definindo nossas preferências.

 

Essa relação primeira irá definir em grande parte nossa relação com a comida e a alimentação, onde exista a aceitação do alimento oferecido e a possibilidade de negá-lo quando já satisfeito. Uma das primeiras possibilidades de controle do ambiente, o que o bebê permite entrar em seu organismo representa a possibilidade também de dizer não à sua mãe.


Apesar de todas as nuances do comer, a mesa continua sendo o lugar onde famílias se reúnem para estreitar laços, amigos matam saudades, casais se formam e realizações são comemoradas. A comida permeia também nossa sociabilidade. Dividir o alimento, compartilhar a fartura, comer com quem se ama e o que te apetece continua sendo um dos grandes prazeres da vida.

 

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Sobre o autor:

Luana da Silva Oliveira - Psicóloga Clínica e Organizacional, realiza atendimento clínico com crianças, adolescentes, adultos, casais e família.